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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Presidente do PMDB acusa PSDB de negociar compra de apoio por R$ 20 milhões

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Política
Antônio Andrade cita dirigente tucano envolvido na suposta oferta

26 de May de 2014
jornal tudo bh.


Andrade cita suposta oferta dos tucanos no valor de R$ 20 milhões
Ex-ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade (PMDB) acusou nesta segunda-feira (26) o PSDB de tentar negociar compra de apoio dos peemedebistas por R$ 20 milhões. 

Durante reunião da executiva estadual da sigla, o deputado federal afirmou que em conversa com o presidente do PSDB de Minas, Marcus Pestana, houve a ventilação de hipótese de apoio. 

O tucano teria se comprometido a conseguir R$ 20 milhões para campanhas proporcionais (de deputados federais) e também a vaga de candidato a Senador para o próprio Andrade. O nome para a vaga divulgado pelos tucanos há alguns dias é do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

A acusação de Andrade foi feita durante reunião aberta da executiva do partido. Depois, em entrevista coletiva, o político amenizou o tom e não citou nominalmente o dirigente do PSDB. Disse que tratava-se de um porta-voz dos tucanos. O peemedebista é nome forte para ser candidato a vice-governador em chapa majoritária encabeçada pelo também ex-ministro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) Fernando Pimentel (PT).

Procurado pelo TUDO, o presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, disse tratar-se de "absurdo" o envolvimento do nome dele no caso. "Até me nego a acreditar que o Toninho tenha dito uma coisa dessa. É um absurdo, estou indignado, é uma calúnia. Tive reunião pública no diretório, há dois meses. Foi uma tentativa de abertura de diálogo para sondar persepctiva de aliança, uma coisa embrionária que não avançou".

Apple e Google chegam a um acordo e encerram guerra de patentes

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As empresas estavam mergulhadas em uma verdadeira guerra de patentes em tribunais de todo o mundo

Publicação: 17/05/2014 08:35 


Nova York - Os gigantes da informática americana Apple e Google anunciaram na sexta-feira ter alcançado uma trégua em sua guerra de patentes.


"Apple e Google chegaram a um acordo para dar por finalizadas todas as denúncias existentes atualmente entre os dois grupos", indicaram em um comunicado transmitido por e-mail à AFP.

As duas companhias afirmam que trabalharão juntas em "certos setores da reforma de patentes", embora tenham deixado claro que a distensão não inclui dar licenças recíprocas pela tecnologia de cada uma.

Apple e Google estavam envolvidas em uma autêntica guerra de patentes nos tribunais de todo o mundo. O conflito havia provocado uma avalanche de processos judiciais nos últimos anos, alguns acompanhados com expectativa pela imprensa.

"As partes entraram em acordo diante de uma posição mútua de debilidade", considerou o analista em matéria de propriedade intelectual Florian Mueller da fosspatents.com.

"Tinham que reconhecer que, sob as circunstâncias processuais, suas patentes não eram suficientemente fortes para dar a uma das partes uma influência decisiva sobre a outra, ao menos não no curto prazo", disse Mueller.

- Uma longa guerra -

O fabricante americano de telefones celulares Motorola denunciou a Apple nos Estados Unidos há quatro anos. A Apple respondeu com outra denúncia e o Google herdou o conflito judicial quando comprou o braço de telefonia móvel da Motorola em 2012.

Esta aquisição foi considerada naquele momento como um movimento para utilizar suas patentes para defender o sistema operacional Android nos cada vez mais litigantes mercados dos smartphones e dos tablets.

No início do ano, o Google decidiu vender a Motorola Mobility ao gigante dos computadores chinês Lenovo, embora a operação ainda não tenha sido finalizada.

O Google continua sendo um dos principais atores do mercado da telefonia mundial, já que o Android é utilizado por três quartos dos fabricantes de smartphones e tablets do mundo, impondo-se como o principal concorrente dos iPhones e iPads da Apple.

A Samsung é a usuária do programa do Google que tem a maior parcela de mercado, 35%, segundo as estimativas da consultora IDC. A Apple aparece na segunda posição, embora seu iPhone domine apenas 15,5% do mercado mundial.

Apple e Google afirmaram que a trégua inclui apenas as demandas que os opõem diretamente, o que deixa de fora o litígio entre Apple e Samsung.

No último julgamento entre Samsung e Apple, o tribunal confirmou que o gigante sul-coreano deverá pagar 119,6 milhões de dólares à companhia americana por ter violado algumas patentes de smartphones.

A Samsung já havia sido condenada por este mesmo tribunal em 2012 e 2013 a desembolsar 930 milhões de dólares à Apple, que naquela ocasião exigia uma indenização de mais de 2 bilhões de dólares. Mas a vitória da empresa americana foi parcial, já que a Justiça também constatou violações de patentes de sua parte.

O tribunal condenou a Apple a pagar 158.400 dólares à empresa sul-coreana, que a acusava de infringir suas próprias patentes sobre a tecnologia de transmissão de dados.

O último embate ocorreu na sexta-feira no Japão, onde um tribunal concluiu que a Apple havia violado a propriedade intelectual da Samsung, mas condenou a marca a uma multa de apenas 98.000 dólares. As duas empresas classificaram a sentença de vitória.

Especialistas brasileiros elaboram plano para defender recifes de corais

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A ameaça a esses ambientes coloca em risco também diversas outras espécies

Renan Damasceno
Publicação: 26/05/2014 08:00 

Belo Horizonte — Ao menos 20 espécies podem desaparecer da fauna marinha brasileira nos próximos anos, e outras 35 correm risco de sofrer drástico declínio populacional, vítimas de pesca ilegal, poluição, turismo mal conduzido, ocupação irregular e outras interferências que colocam em perigo um dos ecossistemas mais ricos da costa oceânica do país: os corais. As espécies vivem em recifes que vão do litoral do Maranhão ao de Santa Catarina, passando por regiões de alto atrativo turístico, como Fernando de Noronha (PE), Abrolhos (BA), Cabo Frio e Paraty (RJ).

Na atual lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, elaborada em 2005, foram identificadas 20 que habitam os corais e que dependem desses ambientes para procriar e sobreviver. Entre elas, estão seis tipos de estrela-do-mar e peixes como o canário-do-mar, o grama, a donzela-de-são-pedro, o góbio-neón e o peixe-borboleta-de-são-pedro, que colorem o mar e transformam os corais em um paraíso para mergulhadores.

Também vivem nesses ambientes, principalmente em regiões mais profundas, o tubarão-limão e o tubarão-lixa, esse último uma espécie mais amistosa e dócil. Há ainda pequenos invertebrados, como o ouriço-satélite, o verme-de-fogo, o pepino-do-mar, a anêmona-gigante e a orelha-de-elefante.

No entanto, os corais vêm recebendo, nas últimas décadas, diversas pressões, como aquecimento global — que eleva a temperatura da água e diminui o pH, deixando o oceano mais ácido —; mineração; sedimentação e poluição em razão da drenagem das bacias hidrográficas das regiões costeiras; ocupação e uso inadequado da zona costeira, resultado da expansão imobiliária; e turismo.

Papa conclui viagem à Terra Santa com apelo ao diálogo interreligioso

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O pontífice visitou a Esplanada das Mesquitas, terceiro local sagrado do islamismo, e o Muro das Lamentações, um dos mais sagrados da religião judaica

Francisco: minha peregrinação não seria completa se não incluísse também o encontro com as pessoas e as comunidades que vivem nesta terra

Publicação: 26/05/2014 16:29 



Jerusalém - O papa Francisco pediu nesta segunda-feira (26/5) em Jerusalém o diálogo entre judeus, cristãos e muçulmanos, em seu último dia de visita à Terra Santa, uma peregrinação permeada por tensões políticas. Com uma agenda intensa e com grande carga simbólica, o pontífice visitou a Esplanada das Mesquitas, terceiro local sagrado do islamismo, e o Muro das Lamentações, um dos mais sagrados da religião judaica.

Recebendo o sumo pontífice, o presidente israelense Shimon Peres aceitou seu convite lançado no domingo para uma prece comum pela paz com o presidente palestino Mahmoud Abbas no Vaticano. Pouco antes, diante do grande grande mufti de Jerusalém, que o recebeu na mesquita, Francisco convidou cristãos, muçulmanos e judeus a serem "agentes da paz e da justiça".

O papa se dirigiu às pessoas e comunidades "que se reconhecem em Abraão", ou seja, as três religiões monoteístas. "Minha peregrinação não seria completa se não incluísse também o encontro com as pessoas e as comunidades que vivem nesta terra e por isto fico feliz de poder estar com vocês, amigos muçulmanos", disse o papa ao líder religioso islâmico, Mohamed Hussein. "Respeitemos e amemos uns aos outros como irmãos e irmãs", concluiu o papa no terceiro e último dia de sua visita a Terra Santa.

Depois ele caminhou por um quilômetro e rezou em silêncio por vários minutos diante do Muro das Lamentações, um dos locais sagrados para a religião judaica. O papa colocou as mãos sobre o Muro e deixou uma mensagem entre as pedras, como é tradição entre os judeus. Francisco foi recebido no local pelo grande rabino.

Homenagem às vítimas do Holocausto

Como os antecessores, João Paulo II (2000) e Bento XVI (2009), Francisco colocou um envelope entre as pedras do Muro, vestígio do Segundo Templo de Jerusalém. O envelope continha o Pai Nosso em espanhol, revelou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. A agenda de Francisco incluiu uma visita ao cemitério nacional de Israel, onde depositou uma coroa de flores no túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl, uma homenagem que nenhum papa havia feito até agora e que irritou os palestinos.

Fora do programa, o pontífice também visitou o monumento em homenagem às vítimas civis de atentados em Israel. Um gesto realizado a pedido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e que equilibra outro gesto que surpreendeu no domingo: tocar com as mãos o 'muro da vergonha', que separa Israel dos territórios palestinos. Em todos os rituais, Francisco teve a companhia de dois amigos e compatriotas argentinos, o rabino Abraham Skorka e o professor muçulmano Omar Abboud.

O papa visitou em seguida o Memorial de Yad Vashem, que recorda os seis milhões de vítimas do Holocausto cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. "Senhor, nosso Deus, salve-nos desta monstruosidade", disse, antes de beijar as mãos de seis sobreviventes do horror nazistas. Com o ritmo de uma oração, cercado pelas enormes pedras do imponente monumento, o pontífice condenou a "incomensurável" tragédia do holocausto.

O chefe da Igreja Católica também defendeu ante as autoridades israelense um livre acesso dos Locais Sagrados, ao mencionar um dos temas de divergência entre o Vaticano e Israel. Apesar das formalidades e cortesias com o pontífice, as autoridades israelenses aprovaram nesta segunda-feira a polêmica construção de 50 novas residências em um assentamento próximo a Belém. Uma resposta indireta à denúncia de domingo do líder palestino Mahmud Abbas ao papa sobre a operação para "mudar a identidade e o caráter" de Jerusalém Oriental.

A Cidade Antiga de Jerusalém, que contém monumentos sagrados para as três grandes religiões, fica na parte que a ONU não reconhece dentro dos limites de Israel. A visita papal terminou com uma missa no Cenáculo, onde segundo a tradição cristã aconteceu a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, lugar que abriga também o túmulo do rei David, considerado sagrado pelos judeus. Durante esta missa privada, Francisco manteve seu habitual discurso carregado de emoção na presença dos líderes das dioceses e ordens religiosas da Terra Santa, aproveitando o momento para apresentar a ideia da família.

A Igreja deve ser uma "nova família", desejou, insistindo na "fraternidade" e "amizade". "O Cenáculo nos faz lembrar a partilha, a fraternidade, a harmonia, a paz entre nós. Muito amor, muita felicidade jorram do Cenáculo! Apenas caridade sai daqui, como um rio desde a sua nascente", disse o pontífice. "Todos os santos saíram daqui. O grande rio da santidade da Igreja sempre tem sua origem aqui, de novo e de novo, do Coração de Cristo, sa Eucaristia, de Seu Espírito Santo".

Francisco, que pronunciou 14 discursos e homilias em três dias, evitou de modo geral improvisar, o que é seu costume. O primeiro papa latino-americano, conhecido pelos gestos e propostas inovadoras, retornou a Roma com a promessa do presidente israelense Shimon Peres e do líder palestino Mahmud Abbas de uma reunião - provavelmente em 6 de junho - para orar pela paz no Oriente Médio sob a Cúpula de São Pedro.

Motorista embriagado destrói Ferrari e é liberado após fiança de R$ 8 mil

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O motorista da Ferrari se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi autuado
O motorista da Ferrari foi atuado por lesão corporal culposa e embriaguez ao volante


Publicação: 26/05/2014 12:25 


Um motorista que se recusou a fazer o teste do bafômetro foi liberado após pagar fiança de R$ 8 mil. Ele dirigia uma Ferrari 550 Maranello (2007), avaliada em mais de R$ 300 mil. O veículo acabou destruído após um acidente com outros dois carros neste sábado (24/5), na BR-020, km 22, sentido Planaltina/Sobradinho, segundo a Polícia Civil. O motorista dirigia o veículo com sinais de embriaguez quando colidiu com um VW/Gol e um Fiat/Siena. 

No VW/Gol estavam o condutor, de 27 anos, a esposa, 26, e o filho de 2 anos. No Siena, estava apenas o motorista, de 32 anos. Os ocupantes do Gol e da Ferrari foram levados ao Hospital Regional de Planaltina com ferimentos leves. Os carros ficaram destruídos. De acordo com a Divisão de Comunicação (Divicom) da Polícia Civil , o condutor da Ferrari tem 61 anos e essa foi sua primeira passagem pela polícia.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o proprietário da Ferrari vinha de uma exposição de carros importados no Plano Piloto - ele seria dono de vários outros veículos de luxo. Depois do acidente, testemunhas tentaram linchar o motorista e foram contidas por policiais. Segundo testemunhas, o motorista não participava de racha, informação não confirmada pela PRF.

O motorista da Ferrari estava alcoolizado, segundo os exames médicos e foi autuado por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e embriaguez ao volante. A 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina, investiga o caso.

Antecessor de Gareca criou Academia, treinou Brasil e morreu na favela

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Bruno Ceccon
São Paulo (SP)
26/05/2014

Com os pés descalços, dezenas de garotos correm atrás da bola no Centro Esportivo Filpo Núñez, batizado em homenagem ao último técnico argentino que passou pelo Palmeiras. Entre a maioria corintiana, Witalo Vinícius, 10 anos, é o único trajado com a camisa do clube alviverde no campo de areia localizado em Heliópolis. O garoto não sabe, mas o modelo de uniforme inspirado na Seleção Brasileira remete ao antecessor de Ricardo Gareca que, magoado com o time palestrino, morreu na favela da Zona Sul.
Embora tenha conquistado apenas um título pelo Palmeiras, o Rio-São Paulo-1965, Nelson Ernesto Filpo Núñez é considerado o mentor da célebre Academia de Futebol. Na mesma temporada do campeonato interestadual, ele atuou na partida em que a equipe representou a Seleção e venceu o Uruguai por 3 a 0, amistoso que marcou a inauguração do Mineirão. Até hoje, o argentino nascido em Buenos Aires é o único estrangeiro a dirigir o Brasil.
Em três passagens pelo Palmeiras, Filpo acumulou 154 jogos. No Brasil, treinou uma infinidade de clubes, como Cruzeiro, Vasco e Corinthians. Ao longo da carreira, o argentino trabalhou em 10 países, entre eles Espanha e Portugal. Com o dinheiro recebido como técnico, comprou uma casa confortável e chegou a ter quatro carros na garagem - à Gazeta Esportiva, no ano de 1980, disse que poderia se aposentar “com as vacas na sombra”.
Adepto do futebol ofensivo, Filpo batizou seu sistema de “pim-pam-pum”, estilo baseado em rápidas trocas de passe rumo ao gol. Considerado folclórico, acabou taxado de ultrapassado precocemente e, na jogatina, perdeu o dinheiro recebido no futebol. Em 1996, o argentino sobreviveu a um incêndio no hotel em que vivia, na Avenida Cásper Líbero. Desalojado, passou a dormir em uma fatia de espuma com menos de 5cm de espessura na casa de um conhecido, mas foi obrigado a sair.
Ao tomar conhecimento da situação de Filpo Núñez, o pastor Carlos Altheman, da Ação Social Jerusalém, se dispôs a abrigá-lo. Com um velho baú como único patrimônio, o antigo técnico da Academia chegou à favela de Heliópolis em 1998. Ele passou menos de dois anos no local, mas deixou saudades e foi homenageado ao nomear o centro esportivo que o pequeno Witalo Vinícius costuma frequentar devidamente trajado com a camisa amarela do Palmeiras.

“Arrumamos um quarto para o Filpo, mobiliamos, compramos roupa. A verdade é que ele era bem paparicado”, lembra Altheman, sorridente. “Às vezes, ainda fico pensando: era uma celebridade e esteve aqui conosco. Aceitou morar em um lugar muito simples. Mais simples do que isso, impossível. O grande técnico do Palmeiras veio viver na favela com a gente. Para nós, foi uma grande honra, um presente que caiu do céu. É motivo de grande orgulho tê-lo recebido”, afirmou o pastor evangélico.
A Ação Social Jerusalém oferece uma série de cursos gratuitos à comunidade. Vaidoso, Filpo aproveitava as aprendizes de cabelereiras para manter o cabelo pintado e as unhas feitas. Mimado, costumava comer as massas que adorava quase todos os dias, especialmente raviólis. Em contrapartida, o ex-técnico de Ademir da Guia treinava um grupo de 97 meninas em um antigo lixão transformado em campo de futebol, à época com pedras e cacos de vidro no piso.
“O Filpo contribuiu muito em Heliópolis. Era uma pessoa sensacional, muito amável. Amigo das crianças, dos idosos, de todo o mundo. Aprendemos a amá-lo. Por outro lado, sentimos que ele também estava contente conosco. Depois de passar pelo mundo do futebol, que é um meio muito complicado, pôde ver que ainda existiam pessoas boas, que nem todos queriam levar vantagem sobre os outros. Aqui, encontrou tudo que precisava naquele momento da vida”, disse o pastor.

O argentino costumava ser convidado para comandar times de várzea em determinadas partidas e participar de programas de televisão. Sem dinheiro para retornar à residência de táxi, percorria grandes distâncias a pé ou varava a madrugada à espera dos ônibus coletivos. Orientado por Carlos Altheman, Filpo Núñez passou a cobrar para dirigir as equipes e exigir transporte de ida e volta até sua nova casa para aceitar os chamados da imprensa.
“Durante anos, mantive amizades que não eram verdadeiras. Vivia em um mundo de fantasia, de pura hipocrisia”, afirmou Filpo em matéria publicada na edição de 16 de novembro de 1998 do jornal A Gazeta Esportiva. “Ganhei muito dinheiro. Perdi tudo jogando, gastando. Cheguei a um ponto em que não tinha mais vontade de viver. Hoje, aterrissei com uma bíblia na mão. Sou grato a Deus por encontrar a paz que nunca tive em 42 anos de profissão”, disse, em uma de suas últimas entrevistas.
Com a autoestima fortalecida, Filpo Núñez, aos 78 anos, pediu Marlene Câmara Salviano em casamento – o técnico morreu poucos meses antes de oficializar a união. Satisfeito com a reviravolta em sua realidade, o argentino levou até o final da vida o desgosto com o Palmeiras. De acordo com o pastor Carlos Altheman, ele sentia uma espécie de falta de reconhecimento por parte do clube que dirigiu em mais de 150 partidas nos anos 1960 e 1970.
“Sempre que a gente conversava sobre futebol, surgia esse assunto. O Filpo falava: Pastor, tiraram a palavra ‘gratidão’ do dicionário. Ele era mais respeitado pela Portuguesa Santista. Uma vez, visitamos a sala de troféus do Palmeiras juntos e ele ficou sentido por não ter nem sequer uma foto no local. ‘Eu montei a Academia’, dizia. No final da vida, morando conosco em Heliópolis, acho que o Filpo sentiu que a palavra gratidão tinha entrado novamente no dicionário”, contou.
Fernando Dantas/Gazeta Press
Jim López, Abel Picabéa, Armando Renganeschi, Filpo Núñez e Alfredo González antecederam Gareca (foto)
Naturalizado desde 1969, Filpo se dizia um “argentino de coração brasileiro”. O técnico costumava citar com orgulho um gol marcado por Gildo contra o Vasco em 9 segundos no Rio-São Paulo-1965, consequência do “pim-pam-pum”. Mas considerava o amistoso diante do Uruguai o maior momento da carreira. O treinador, magoado, garantia que sua imagem fora cortada da clássica foto dos jogadores perfilados antes da partida no Mineirão – ele estaria na frente do goleiro Valdir Joaquim de Moraes.
“No vestiário, orientei o time a massacrar o Uruguai. Enfiamos 3 a 0. Depois daquela partida, eu já podia me aposentar. Sentia como se não tivesse mais nada a fazer no futebol. Nunca vou esquecer aquele dia”, disse Filpo, ressentido com o Palmeiras. “No meu baú, guardo medalhas e troféus conquistados ao longo de 42 anos de carreira. Pergunto: por que não existe uma única foto minha na sala de troféus do Palmeiras, se só dei títulos, glórias e alegrias ao clube?”.
Poucos meses antes do casamento com Marlene Câmara Salviano, Nelson Ernesto Filpo Núñez sofreu um ataque cardíaco, em março de 1999. Ele chegou ao hospital com vida e fez um sinal de positivo para o pastor Carlos Altheman, mas não resistiu. Ex-jogadores como Luís Pereira, Zé Maria, Gilberto Sorriso e Ivair compareceram ao velório em Heliópolis, além de Affonso Della Monica, então diretor do Palmeiras. Uma sobrinha, acompanhada pelo marido, veio da Argentina.
Então com 78 anos, Filpo estava cheio de planos – além de casar, pretendia trazer times da Argentina para realizar um festival em Heliópolis. Após o falecimento repentino do treinador, as recordações guardadas no velho baú foram transportadas para uma sala do centro esportivo que levaria seu nome. Quinze anos depois, vestido com a camisa inspirada no histórico amistoso de 1965, o jovem Witalo Vinícius posou para a Gazeta Esportiva com uma das poucas taças que restaram no local.